Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para Ansiedade relacionada à COVID-19

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Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para Ansiedade relacionada à COVID-19

Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)
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Por Marcionilo Laranjeiras, Psiquiatra e terapeuta cognitivo-comportamental

Desde o início das medidas de isolamento social, notei em meus pacientes a crescente ansiedade relacionada a Pandemia de COVID-19, situação completamente nova e inesperada para mim e para meus colegas. Da mesma forma, um inquérito populacional realizado na China mostrou aumento de ansiedade, depressão e estresse desde o início da Pandemia (Wang, 2020).

Em busca de uma linha de ação, revi a literatura científica sobre Pandemias anteriores e conversei em grupos virtuais com colegas médicos de várias especialidades, acadêmicos e religiosos. Eleny Vassão, mestre em aconselhamento bíblico pela Universidade Mackenzie com experiência em situações críticas, como terminalidade e desastres, sugeriu-me utilizar uma intervenção baseada em evidências científicas com aplicabilidade para ajudar as pessoas a lidar com medos e perdas, com o objetivo de aliviar sofrimento, organizar rotinas e desenvolver virtudes neste momento de quarentena.

O Programa de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, do qual participo, utiliza a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, sigla de acceptance and commitment Therapy) há alguns anos. Esta terapia é uma das mais estudadas na atualidade, em formatos presencial, virtual, individual e em grupos. Criada por Hayes no fim dos anos 80, a ACT mostra resultados consistentes para depressão, transtornos de ansiedade, de estresse e alimentares. Em linhas gerais, a ACT envolve uma questão central: ajudar os pacientes a adquirir habilidade para minimizar o impacto do sofrimento sobre a capacidade de viver uma vida valorosa. Mostra-se uma forma de psicoterapia extremamente útil neste momento para pessoas em isolamento, ansiosas, deprimidas e com perda de sentido de vida. Neste artigo vamos discutir quais são os quatro princípios que norteiam a prática da ACT.

Os princípios da ACT

    1. ATENÇÃO PLENA (Mindfulness)

Atenção Plena

A ACT utiliza técnicas de Atenção Plena com a finalidade de treinar a pessoa a ficar atenta ao momento presente, observando a dinâmica entre pensamentos, emoções e ações, em interação com as pessoas e com o mundo, sem julgá-los. Isso permite mudar de perspectiva em relação ao presente, a experimentar o mundo como ele é, descontaminado de pensamentos sobre futuro ou passado. Aprende-se com esta técnica a lidar com emoções e sentimentos dolorosos de forma eficaz. A principal virtude desenvolvida nesta fase inicial é o autocontrole.

    1. ACEITAÇÃO

Aceitação

A aceitação é uma decorrência de aprender a observar o presente. Em vez querer examinar, mudar ou conflitar pensamentos e emoções, aprende-se a observar e aceitar como o sofrimento impacta a própria vida e a vida das outras pessoas. Isto é especialmente útil para momentos de isolamento, conflito, riscos e incerteza. Em comum com diversas tradições espirituais e filosóficas, busca aceitar que a dor, o medo a incerteza fazem parte da vida, mas não passivamente. Implica encontrar maneiras ativas de lidar com o sofrimento e com os obstáculos do momento. Aos poucos aceita-se que os problemas precisam ser resolvidos de outra maneira. Uma virtude desenvolvida neste momento é a humildade.

    1. COMPROMISSO COM VALORES

Compromisso com Valores

O próximo princípio da ACT conduz a pessoa a uma reavaliação da vida. Busca-se que o paciente entenda o que é vida baseada em valores. Ao mesmo tempo, o paciente deve compreender como viveu até este momento e quais as armadilhas, barreiras e estratégias de auto-sabotagem que o levaram ao sofrimento e disfunção. A sabedoria é a principal virtude desenvolvida neste princípio.

    1. AÇÃO COMPROMETIDA

Ação Comprometida

O último princípio conduz ao estabelecimento de metas pessoais e de um plano de ação baseado nos seus valores para uma vida significativa. Com a evolução do tratamento, aprende-se a viver cada vez mais independente dos medos, crenças, sentimentos, se engajando em novos comportamentos. Descobre-se que é possível ter uma vida valorosa e satisfatória, apesar dos períodos de sofrimentos inevitáveis. Neste último princípio da ACT, a coragem e a perseverança são as virtudes que serão desenvolvidas.

A função do terapeuta é estimular, conduzir e apoiar o paciente no processo de aquisição de conhecimentos, habilidades e virtudes. Este momento de quarentena nos conduz para este tipo de abordagem.


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